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Alegria Compartilhada

Uma gargalhada explodiu do outro lado da rua
Alguém ligou as caixas de som para que o povo usufrua
Do orvalho fresco da mata, que não se vê, mas atua
Varrendo os lares do balneário em uma noite de lua

Alegria compartilhada
É alegria redobrada

Miscigenada em cor e cultura, a massa segue pra cima
A bola, a carne, o canto e o suor: subentendida doutrina
A libertar felicidades e angústias em um escasso lazer
Senzala, casa-grande e capela iguais perante o morrer

Alegria compartilhada
É alegria redobrada

Quem Vai, Vai

Quem vai, vai
Quem não vai fica

Palavra, pensamento e atitude em comunhão
Por isso você tem o livre-arbítrio, a iniciativa, a inteligência e a razão
Você vai ter que aprender, eles vão ter que aprender
Nós vamos ter que aprender

O que peço é saúde e alegria
Prá nós, meu amor, minha querida
Pros nossos filhos, amigos e irmãoss
Fartura, paz, amor, respeito, fé e compaixão

Quem vai, vai
Quem não vai fica
Quem vai, quem vai, quem vai
Quem fica

É certo que haverá coisas que fujam da sua alçada
Vambora porque é longa a caminhada, mas a vitória, eu sei, será de goleada
Você vai ter que aprender, elas vão ter que aprender
A gente tem que aprender

Por isso, saúde e alegria
É o que peço pra nós, minha querida
Pros nossos filhos, amigos e irmãos
Fartura, paz, amor, respeito, fé e compaixão

Quem vai, vai
Quem não vai fica
Quem vai, quem vai, quem vai
Quem fica

O Baobá, Obá-Obá!

A Garça

A garça mora no morro
Durante o dia voa até a lagoa pra se alimentar
Não distingue feriados
Natal, Ano Novo, Páscoa ou jogo de final
O seu relógio é o sol
Seu calendário é a posição dos astros no mar sideral

E vê a mãe que chora
O filho que comemora
A multidão calejada avançar
E vê a vela pra santa
O avião que levanta
A frente fria chegar e passar

A garça mora no morro
Durante o dia voa até a lagoa pra se alimentar
Não distingue feriados
Natal, Ano Novo, Páscoa ou jogo de final
O seu relógio é o sol
Seu calendário é a posição dos astros no mar sideral

E vê a fome e o assalto
A bola e a pipa no alto
O casal que constrói o seu lar
E vê a roupa na corda
O soldado que aborda
A erosão lentamente atuar

Cosmic Jesus

Nos olhos da ciência que desvenda a alegoria
Soam os tambores em anúncio à boa nova
Impávido diante do que não se conhecia
Avança no sendeiro o homem forte a cada prova
E quando sofre a alma nessa casa de argila
Há num mergulho de olho aberto a mão amiga que conduz
De um cosmonauta que avisou:
“Cada um carrega a sua cruz”

Ah! Que maravilha ver
Eu e minha tribo
Tranqüilidade, só lazer
Prevalece o Amor

O reino vegetal já coloria a ciclovia
Inspirando e exalando a pulsação da massa
E lúcido diante da rica topografia
Sentiu a teia viva entrelaçada pela graça
Amou e foi amado da maneira que podia
E na abóboda celeste além do stratocumulus
O cosmonauta constatou:
“Cada um carrega a sua cruz”

Ah! Que maravilha ver
Eu e minha tribo
Tranqüilidade, só lazer
Prevalece o Amor

Yeah Kids, hey kids
Over the lies kids, over the lights kids, in a row, let’s rock and roll
Onisciente, o poder inteligente que rege a confusão com harmonia
Basicamente as plantas, os animais e a gente desvendando a alegoria
A boa nova é só alegria, porque de tudo em volta consciente medita meio monge meio sábio
Presente no tempo presente o espetáculo, ao invés do vazio e do vácuo
Ninguém é dono da verdade, mas pode ter sua posse
Ciente da verdade eu faço o que eu posso
Meus camaradas, Black Alien eu cheguei agora
Com a velha sensação de que nunca fui embora
Entre a escuridão e a aurora, in the dark time waits, but it waits for nobody
But keeps with the flow of your soul and go, over the lights kids, isso é só rock and roll
A fauna, a flora e a gente. Aflora a sensação urgente
De forma plena vive como pode e como não, mas que pena
Mas se vale à pena, ele o próprio criador então
Cada um carrega a sua cruz à La Cosmic Jesus, Krishna, Buda ou Alá
As He sees us, in the sea just us, go Darwin, I’m always drifting when I’m driving
Uplift no surprising, the sun is rising, sun is shining, I’m alive in universal
This lines I write overseen by Him, information by creation from the places I’ve been
Porque são várias as cruzes, mas é só um amor, que lança a sua luz
Morre na fila do SUS o tal do cósmico Jesus
Motosserras abrem clareira, tribo cercada pelo garimpo, extração ilegal de madeira, tá limpo!
Um benefício à beira do precipício
Atitude na latitude, entre games e bolas de gude
Sabe desde o início: Alma, espírito, corpo, mente
Sua jornada diligente faz valer o sacrifício
É isso...

Descendo o Rio

Eu vou descendo esse rio, guiando a minha canoa
Não fujo do desafio, que cabe a minha pessoa
Deixo que as águas me levem, mas, quando é preciso eu remo
Invoco a calma e a coragem nas tempestades que enfrento

Ah! Que lindo é o Amor, o amigo chegou trazendo a paz
Ah! Que lindo é o Amor, não há mais temor que seja capaz

Tem que ter leveza muleque, e discernimento muleque
Tem que ter certeza muleque
Perseverança

Invoco a fé, a calma e a coragem
Invoco a fé, a calma e a coragem

Tropicália Digital

O sol e o sal nos moldaram como tal
Portadores do estandarte da cultura tropical
Raízes brasileiras coração universal
Musica naif, peso leve, digital
Vem da exuberância do maciço da Tijuca
Amálgama num povo que sampleia e batuca
Entrando de chinelos no século XXI
Afim de questionar o senso comum
Cada um com seu cada um, cada macaco no seu galho
Unidade coletiva, “way of life” solidário
Mutatis Mutandis, rapaziada tá voando
Depois da chuveirada fico aqui elucubrando
Sobre a vida, sobre a morte, sobre a conta no vermelho
As profundezas do espaço, e quem enxergo no espelho
Metáfora nenhuma explicará

Tem que ter conceito, recurso e canhota
Carcaça de dinossauro e destreza de gaivota
Sem olho de Tandera, mantendo a humildade
O que arde cura, mas nem tudo que cura arde
Antes tarde do que mais tarde
Pra tudo tem hora na marcha da humanidade
Caixa eletrônico, placa tectônica
Fico catatônico com a orquestra filarmônica
Tsunami, Jabulani, silicone e Rivotril
Wikileaks, trimilique, rolimã no downhill
Incluindo os arquipélagos do Atlântico-Sul
É tudo maravilha desse aquário azul
E como simples instrumentos de um sublime comando
O resto do poema nós diremos tocando

Dissolver e Recompor

Eu varro a sala, eu rego as plantas
Abro as janelas pro ar circular
Faço uma faxina pra limpar a casa
Faço uma faxina pra arrumar a vida
Pra dissolver e recompor
Até os infortúnios tem o seu valor
Na oportunidade de aprender com a dor
Portanto, a gratidão jorra pela fonte do meu coração

Tá no interior e ao redor
No trabalhar, no querer
Faz e não dá ponto sem nó
É o Mistério, é o Poder

Largo dos Leões

No Largo dos Leões tá tendo bloco é?
No Largo dos Leões tá tendo bloco e eu vou lá
No Largo dos Leões tá tendo bloco é?
No Largo dos Leões tá tendo bloco e eu vou lá

Céu na Terra, Ih! É Carnaval
Simpatia é Quase Amor, Aconteceu
Bola Preta, Vagalume, Bip-Bip, Boitatá
Gigantes da Lira, Escravos da Mauá
Carmelitas, Mulheres de Chico
Bafo da Onça, Suvaco do Cristo

No Largo dos Leões tá tendo bloco é?
No Largo dos Leões tá tendo bloco e eu vou lá
No Largo dos Leões tá tendo bloco é?
No Largo dos Leões tá tendo bloco
Humaitá bom
Humaitá muito bom
Cacique de Ramos, Concentra Mas Não Sai
Monobloco, Empolga às 9
Volta Alice, Bagunça o Meu Coreto
Embaixadores da Folia, É do Pandeiro
Songoro Cosongo, Bangalafumenga
Orquestra Voadora, Banda de Ipanema
Quem Não Guenta Bebe Água
Meu Amor Eu Vou Ali, Me Enterra na Quarta

Minha Jóia

Caminharemos lado a lado
Uma questão de afinidade
Música, dança, tempero e sabor
Afeto, amparo, carinho e calor

E uma faísca desse amor
Abrasará o coração
É a alma quem canta
É a alma quem canta

Minha criança, minha jóia
Minha vida, meu amor
Minha criança, minha jóia
Minha vida, meu amor

10. Morada

Faço de mim
Casa de sentimentos bons
Onde a má fé não faz morada
E a maldade não se cria
Me cerco de boas intenções
E amigos de nobres corações
Que sopram e abrem portões
Com chave que não se copia
Observo a mim mesmo em silêncio
Porque é nele onde mais e melhor se diz
Me ensino a ser mais tolerante, não julgar ninguém
E com isso ser mais feliz

Sendo aquele que sempre traz amor
Sendo aquele que sempre traz sorrisos
E permanecendo tranqüilo onde for
Paciente, confiante, intuitivo

Faço de mim
Parte do segredo do universo
Junto a todas as outras coisas
Às quais admiro e converso
Preencho meu peito com luz
Alimento o corpo e a alma
Percebo que no não possuir
Encontram-se a paz e a calma
E sigo por aí viajante
Habitante de um lar sem muros
O passado eu deixei nesse instante
E com ele meus planos futuros, pra seguir

Sendo aquele que sempre traz amor
Sendo aquele que sempre traz sorrisos
E permanecendo tranqüilo onde for
Paciente, confiante, intuitivo

11. Quando a Alma Transborda

Yuri Gagarin, Mandela e Tom Jobim
Chico Science e Neruda moram dentro de mim
Parnasianos, modernistas e pré-socráticos
Barrocos, cardecistas e pós-democráticos
Nas asas do espírito, no olho do furacão
Dez na bateria, na harmonia e na evolução
No toque do agogô, no bote da cobra coral
Quanta história já não viu uma palmeira imperial?
Cítrico, plácido, mágico, híbrido
Árido, gótico, prático, típico
Suas lágrimas, seus dramas e prazeres mais profundos
Vá e diga a todos o que vistes desse mundo
Quando não cabe no corpo, é quando a alma transborda
É mais que um nome ou um rosto, e que os limites da forma

Santos Dumont, Villa Lobos e Lévi-Strauss
Maradona e Milton Santos nos ensinam a compor
Quando desenho a parede ou durmo na rede
Quando tomo o caju que mata a minha sede
Quem faz o meio de campo, quem leva o time adiante
Que voz é essa que te acalma num momento angustiante?
Dinheiro no bolso, comida no prato
A reza forte da mãe negra pra espantar o mau-olhado
Cântico, cândido, métrico, lírico
Úmido, próximo, cético, bíblico
Descalço na terra e a plenitude me invade
Então sou conforme posso e o resto é vaidade

Quando não cabe no corpo, é quando a alma transborda
É mais que um nome ou um rosto, e que os limites da forma

12. Pra Sempre

Será pra sempre longe
Será pra sempre perto
Será sempre segredo
Aquilo a ser descoberto

Será pra sempre lindo
Será pra sempre feio
Não será sempre incompleto
O que terminou no meio

Será como um cometa
Será como um vulcão
Será um velho amigo
Caminhando em sua direção

Será pra sempre antigo
Será sempre moderno
Serão biodegradadas
As folhas desse caderno

Será sempre réveillon
Será sempre feriado
Prazeroso e sofrido
Enquanto for aprendizado

Será pra sempre acerto
Será pra sempre engano
Será alguma outra coisa
Depois de ser humano

Será sempre vantagem
Será sempre prejuízo
Será sempre uma lágrima
Abrindo alas p´rum sorriso

Serão lembranças queridas
Do futuro e da memória
Pra sempre será coragem
Pra sempre será vitória!

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